Apresentação da Vila
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| Figuras Ilustres |
| Garcia d'Orta
Em 1492 - Os Judeus são forçados a abandonar o Reino de Castela, por ordem dos Reis católicos Fernando e Isabel. Fernão d'Orta e Leonor Gomes (pais de Garcia d'Orta) tinham descendências castelhanas e também eles foram sujeitos á pressão exercida sobre os ascendentes judaicos.
Fernão d'Orta chega a Castelo de Vide, onde se estabelece e sobrevive devido à actividade comercial, em 1497 converte-se com sua mulher ao Cristianismo.
1500 - Numa das primeiras casas da Judiaria de Castelo de Vide nasce Garcia d'Orta, e é nesta vila que passa a sua infância e aprende as primeiras letras.
Em 1515 parte para Espanha afim de iniciar os seus estudos universitários, frequenta as Universidades de Salamanca e Alcalá, estuda gramática, artes, súmulas e filosofia natural. Encontrou durante os seus tempos de estudo companheiros como: D. Jerónimo Osório, André de Resende, Pedro Nunes, entre outros.
Em 1523 finaliza os seus estudos e regressa a Castelo de Vide. |
1526 - É-lhe concedida carta que permitia o exercício de medicina, estabeleceu-se em Castelo de Vide onde foi médico por algum tempo, em 1530 anseia prosseguir estudos na área da Botânica, parte para Lisboa onde fica durante quatro anos em 1534 segue rumo à Índia. Em 1541 casa com Bianca de Solis, descendente de cristãos novos e chegada recentemente a Goa, vinda de Portugal.
1563 - É publicada a obra " Colóquios dos Simples e Drogas e coisas medicinais da Índia" obra mais conhecida deste famoso médico viticastrense.
Faleceu em 1568. Os seus restos mortais são colocados num túmulo da Sé de Goa.
Em 1569 é organizado um processo de inquisição contra Garcia d'Orta e em 1570 o que resta do seu corpo foi retirado do tumulo, levado ao local onde se realizou um auto de fé, os seus ossos foram lançados à fogueira e as suas cinzas espalhadas nas águas do rio Mandovy. |
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| Mouzinho da Silveira
José Xavier Mouzinho da Silveira nasceu na Freguesia de S. João Baptista em Castelo de Vide, a 12 de Julho de 1780, filho de Francisco Xavier de Gomide e de Domingas Angélica Subtil, ambos naturais desta vila.
Em 1785 inicia a instrução primária nesta mesma terra, em 1797 conclui em Coimbra o estudo liceal ematricula-se no primeiro ano da Faculdade de Leis e vem a tomar o grau de Bacharel em Leis na Universidade de Coimbra. Em 1797 volta a Castelo de Vide onde exerce advocacia. O primeiro posto público que ocupou foi como Juiz de Fora de Marvão em 1809. Anos mais tarde foi transferido para Setúbal onde casou com Teresa Guilhermina.
Dia 2 de Maio de 1814 - Mouzinho da Silveira é nomeado Juiz do Tombo dos Bens da Casa Real no termo de Lisboa.
Em 1817 é nomeado Provedor da Comarca de Portalegre. Exerce também o cargo de Administrador da Alfandega e já nesta cidade conspira a visita a vultos adeptos das "novas" ideias e recebe alguns homens que fariam a revolução de 1820.
Em 1821 sai de Portalegre para Lisboa, onde toma posse do cargo de Administrador Geral das Alfandegas; é demitido no ano seguinte por se recusar a jurar a Constituição de 23 de Setembro. Em 1823 é denunciado pelo Corregedor da Comarca de Portalegre por causa das suas ideias políticas e por manter relações íntimas com os revolucionários de 1820 é preso no castelo de S. Jorge em 1824, sai 14 dias depois.
1828 - É forçado a ausentar-se de Portugal em 1831 embarca para a Ilha Terceira (Açores)
1832 - Forma-se o Ministério Liberal. Mouzinho é nomeado Ministro da Fazenda e Interino da Justiça, legisla sobre:
- Garantias de bens e pessoas;
- Extinção dos dízimos nos Açores;
- Liberdade dos bens (extinção dos vínculos e morgadios);
- Reforma das alfândegas (Açores);
- Regras contra os delitos de abuso do poder;
- Abolição da Pena de confiscação de bens;
- Consigna o princípio da inviolabilidade da propriedade do cidadão;
- Aboliu o pesado imposto das sisas;
- Determinou que as dívidas contraídas nos Açores fossem pagas com a produção do tabaco destas Ilhas;
- Declara livre o porto da Praia;
- Legislação de protecção à Ilha do Corvo;
- Organização e administração da Fazenda Pública (Dec. Nº 22);
- Organização administrativa do país dividindo-o em províncias, comarcas e concelhos (Dec. Nº23);
- Organização do país em círculos judiciais, comarcas, julgados e freguesias (Dec. Nº24).
No mesmo ano, estala a Guerra Civil, Mouzinho faz parte da comitiva dos liberais, pede a demissão do Ministério em virtude dos factos ocorridos no cerco do Porto. |
Em 1833 são-lhe dados amplos poderes para fazer tudo o que lhe parecesse conveniente ao serviço da causa de D. Maria II e da Carta, no ano seguinte é novamente nomeado Administrador Geral das Alfandegas.
1835 - É eleito deputado.
1836 - Recusa a nomeação de Par do Reino, dá-se a Revolução de Setembro e proclamação da Constituição de 1822. Mouzinho recusa-se a jurar a constituição. Parte para França desiludido e desgostoso com a marcha dos acontecimentos políticos regressando ao país em 1839 e é eleito deputado pelo Alentejo, abandonando definitivamente a política no ano seguinte.
Morre em Lisboa dia 4 de Abril em 1849. É sepultado no cemitério da pequena aldeia da Margem. Concelho do Gavião, Distrito de Portalegre. |
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| Salgueiro Maia
Fernando José Salgueiro Maia nasceu no dia 1 de Julho de 1944 no 1º andar do nº 15 da Rua de Santo Amaro em Castelo de Vide, filho de Francisco da Luz Maia e de Francisca Silvéria Salgueiro. Ainda não tinham passado quatro anos, a sua mãe morre atropelada numa visita da família ao Jardim Zoológico em Lisboa, dois anos e meio mais tarde o seu pai casou-se novamente com Maria Augusta que ainda hoje vive nesta vila. Devido a compromissos profissionais do pai que trabalhava na CP (Comboios de Portugal) Salgueiro Maia passa por Coruche, Tomar e Leiria. Estudou no colégio Nun'Alvares em Tomar e no Liceu Nacional de Leiria que antecedem a entrada na Academia Militar em 1963/64.
Fevereiro de 1967 abandonou a Academia Militar e entrou na Escola Prática de Cavalaria. A 1 de Dezembro desse mesmo ano seguiu para Lourenço Marques, de onde rumou para Mueda, distrito de Cabo Delgado afim de integrar a 9ª Companhia de Comandos "Os Fantasmas" sediada em Montepuez.
Passado um ano regressa a Santarém. Conheceu a sua futura esposa, Natércia, em 1969 e casaram-se em 22 de Agosto de 1970. É promovido a Capitão.
A 4 de Julho de 1971 embarcou para a Guiné, com destino a Bula, de onde só regressou 27 meses depois.
1974 - Salgueiro Maia alinhou na Revolução que depôs a ditadura porque deixou de acreditar numa solução para Portugal e para as Colónias. Na madrugada de 25 de Abril de 1974 numa das paradas da Escola Prática de Cavalaria: "Há diversas modalidades de Estado: os estados socialistas, os estados corporativos e o estado a que isto chegou! Ora, nesta noite solene, vamos acabar com o estado a que chegamos. De maneira que quem quiser, vem comigo para Lisboa e acabamos com isto. Quem é voluntário sai e forma. Quem não quiser vir não é obrigado e fica aqui" 240 homens ouviram estas palavras serenas mas firmes e formaram de imediato à sua frente, seguiram para Lisboa e marcharam sobre a ditadura.
1975 a 25 de Novembro sai da EPC, comandando um grupo de carros às ordens do Presidente da Republica. |
1979 - Após ter sido colocado nos Açores, volta a Santarém, onde comanda o Presídio Militar de Santa Margarida em 1984 regressa à Escola Prática de Cavalaria.
1989/90 - Declara-se a doença cancerosa que o iria vitimar, é submetido a uma intervenção cirúrgica. Fez em 1991 uma nova operação. Morre no dia 3 de Abril de 1992.
No cemitério de Castelo de Vide, quatro Presidentes da República (António de Spínola, Costa Gomes, Ramalho Eanes e Mário Soares) vêem descer à terra num modesto caixão o corpo de um dos homens que mais contribuiu para que tivessem podido ascender à mais alta magistratura da Nação, em campa rasa ao som de "Grândola Vila Morena". |
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